“Corremos o risco de assistir à mercantilização da educação”, alerta Leo de Brito

A declaração foi nesta terça-feira, 21, durante a comissão geral da educação, no Plenária da Câmara Federal. A comissão debateu a crise nas instituições de ensino superior no país e os cortes na educação superior e na área da ciência e tecnologia, previstos na Proposta Orçamentária para 2018, encaminhada ao Congresso Nacional, pela Presidência da República. Parlamentares e representantes de universidades públicas estiveram no Plenário da Câmara protestando contra os cortes. O deputado federal Leo de Brito destacou a importância de momentos como esse.

“Hoje as universidades estão sufocadas e nós chegarmos num dia de hoje neste plenário, na casa do povo, dando voz às universidades é um momento muito especial, para mostrar o que as universidades vivem hoje que é um verdadeiro desmonte”, disse.

Ainda segundo o parlamentar é necessário que o parlamento atue de maneira mais dura, impedindo que mais retrocessos prejudiquem o futuro dos jovens. “Só a educação tem o poder de transformar a sociedade. Precisamos reconhecer a importância que as universidades têm para soberania nacional, inclusão social e redução das igualdades, não é demais dizer da importância das universidades para o projeto de desenvolvimento nacional”, frisou.

Leo de Brito recordou como era a educação nos governos Lula e Dilma. “Entre 2003 e 2016, desenvolvemos uma ação coordenada e sistêmica que olhou para o conjunto da educação, da creche à pós-graduação. Além da forte e consistente ampliação do orçamento público para a área, proporcionamos reformas e medidas estruturantes que fortaleceram a educação em seu conjunto, com expansão, interiorização e democratização de oportunidades, em todos os níveis e modalidades”, afirmou o parlamentar.

Neste mesmo período foram criadas 18 universidades federais e 173 novos campi, quase 30% de todo o conjunto de Universidades existentes anteriormente, dobrando o número de municípios abrangidos, sendo democratizada e interiorizada a oferta de oportunidades nesse nível de ensino na rede federal. Além disso, a criação do Reuni, o Prouni, o Sisu e ampliado o FIES, vinculados a medidas articuladas de assistência estudantil, oferta de bolsas e políticas afirmativas. Na graduação, as matrículas em Educação Profissional e Tecnológica superaram a marca de 1 milhão de matrículas.

Ensino Superior no Acre

Por meio do Reuni houve grande expansão das universidades na Amazônia. No estado do Acre o ensino superior obteve nos últimos 13 anos um crescimento de 382% em relação ao número de matrículas. Entre 2012 a 2013, o número total de matrículas em cursos presenciais permaneceu estável com leve queda de 0,8% (21,7 mil em 2013 contra 21,8 mil no ano anterior), somadas as IES públicas (9 mil contra 11 mil, ou queda de 18,7%) e privadas (12 mil contra 10 mil, ou crescimento de 18,6%). Em 2013, havia 12 mil alunos matriculados nas IES da rede privada (57,2%) e 9 mil alunos na pública (42,8%), chegando a quase 22 mil matrículas.

“Na década de 90, quando eu era estudante da Universidade Federal do Acre (Ufac) eu lembro que poucos professores eram efetivos, poucos tinham mestrado, poucos tinham doutorado e as universidades naquele período caminhavam, literalmente, para o sucateamento e para a privatização e eu tive a oportunidade depois, em 2007, entrar como professor na mesma instituição e ver tudo que mudou. Inacreditável aliás!”, destacou.