Plano sustentável do Exército para a Amazônia

Outrora preocupado apenas com a “segurança nacional” nas regiões de fronteiras da Amazônia, o Exército Brasileiro mudou muito nas últimas décadas em relação a essa região. De simples guardião dos rios e da maior floresta tropical do planeta, a instituição passou a fazer parte do contexto local e já é um dos principais interlocutores de sua população por dias melhores e menos isolados do restante do país.

Além de ajudar as populações amazônicas a superarem as cheias e as secas que castigam cada vez mais a região, como fez na recente cheia do rio Acre, o Exército decidiu sugerir a execução de ações estratégicas que possam mudar o cotidiano de sofrimento e de isolamento em que ainda vive grande parte da região.

A convite do seu comandante geral do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, alguns deputados e senadores dos estados amazônicos estiveram ontem no Quartel General da instituição, em Brasília, para conhecerem detalhes do seu ousado “Plano de Desenvolvimento Socioeconômico Sustentável para a Amazônia Legal”.

Do Acre, participaram os senadores Jorge Viana (PT) e Gladson Cameli e o deputado federal Leo de Brito, embora todos os 11 membros da bancada federal acreana tenham sido convidados. E eles ficaram admirados com a abrangência e o alcance do estudo do Exército para levar mais qualidade de vida aos 25 milhões de habitantes da região que abrange 60% do território nacional.

Depois de expor em PowerPoint os principais problemas, dificuldades e grandes potencialidades da Amazônia, o comandante do Exército entregou a cada um dos parlamentares um caderno com o inteiro teor do plano de desenvolvimento sustentável da região que a instituição já conhece bem, pois tem estado presente em todas as suas microrregiões por terra, ar e água.

Trata-se de um calhamaço de 160 páginas coloridas, com textos, fotos, mapas, gráficos e ilustrações que mostram a situação social, econômica e de infraestrutura dos nove estados amazônicos, informando o que deve ser feito para melhorá-la e integrá-la ao restante do país.

“O plano do Exército é muito interessante, sobretudo no tocante à integração da região ao restante do Brasil. Fiquei muito interessado em apoiar as ações de ampliação da comunicação, principalmente em relação à internet de banda larga”, disse o deputado Léo de Brito.

Leo de Brito com Jorge Viana, Gladson Cameli e outros parlamentares da Amazônia no QG do Exército - Foto: Divulgação
Leo de Brito com Jorge Viana, Gladson Cameli e outros parlamentares da Amazônia no QG do Exército – Foto: Divulgação

 

Plano visa a autonomia econômica sustentável da região

Capa do Plano do Exército para o desenvolvimento sustentável da Amazônia - Foto: DivulgaçãoElaborado por participantes do Curso de Política, Estratégia e Alta Administração do Exército, da Escola de Comando e Estado-Maior, o plano do Exército para a Amazônia foi elaborado porque, no entender dos militares, a região carece de estratégias para fazer evoluir a estrutura econômica regional de uma base extrativista e dependente de incentivos federais para sua autonomia econômica sustentável.

Para os elaboradores do plano, um dos principais desafios do planejamento do desenvolvimento sustentável da região amazônica é lidar com a sua ampla diversidade nas diversas escalas e segundo múltiplos critérios.

“Tratar a Amazônia como uma grande região homogênea não é mais uma abordagem adequada. Algumas questões relativas ao planejamento regional podem ser tratadas em grandes agregados, mas outras, especialmente quando exigem a participação de atores locais, demandam recortes específicos em espaços menores, buscando levar as ações governamentais a pequenas localidades, comunidades e tribos”, assinalam os militares.

Para contribuir com o planejamento governamental visando o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal, o Exército propõe diversas ações para melhorar a execução de empreendimentos nas áreas de telecomunicações, de transportes, de energia e de saneamento básico da região.

Segundo os militares, a integração física dos sistemas de transporte, o compartilhamento de recursos energéticos, a interligação dos sistemas de telecomunicações e a troca de soluções de saneamento básico serão decisivos para melhoria da qualidade de vida da população regional, com claro benefício para a defesa nacional.

O Exército considera que a região da Amazônia Legal carece de estratégias para fazer evoluir sua atual estrutura econômica, hoje extrativista e dependente de incentivos federais, visando torná-la autônoma e economicamente sustentável.

Daí que o plano para a Amazônia busca alinhar estratégias e ações estratégicas cuja implementação por diversas instâncias do governo, com participação direta ou indireta das Forças Armadas, ou mesmo sem o envolvimento delas, contribuirão para a defesa nacional por meio do desenvolvimento econômico sustentável da região.