Leo de Brito vê ligação entre Gladson Cameli e Ponte do Bilhão

Senador pepista teve o segundo voto mais caro do país nas eleições de 2014

Tião Vitor, jornal Página 20

O deputado federal Leo de Brito (PT/AC) manifestou opinião que parte do dinheiro da obra de construção da ponte sobre o Rio Negro, no vizinho Estado do Amazonas, tenha vindo parar no Acre para regar as campanhas de Gladson Cameli, hoje senador pelo Partido Progressista. O entendimento do parlamentar petista foi divulgado na manhã desta quarta-feira, 19, através de um vídeo divulgado nas redes sociais. Nele, Brito pede às instituições que realizem investigações para apurar as suspeitas surgidas a partir da delação premiada do ex-diretor de Projeto de Infraestrutura da Camargo Corrêa, Arnaldo Cumplido, que denunciou esquema milionário de desvio de recursos drenados para políticos amazonenses, como é o caso dos ex-governadores e agora senadores Eduardo Braga (PMDB) e Omar Aziz (PSD).

Pelo raciocínio do deputado petista, no centro desse esquema está o empresário Eládio Cameli, pai de Gladson e proprietário da construtora Etam. De acordo com Cumplido, a Etam era subempreiteira da obra de construção da ponte que liga Manaus à cidade de Iranduba – conhecida como ‘Ponte do Bilhão’, dado ao seu alto custo -, e era a encarregada de fazer os repasses do dinheiro aos políticos amazonenses.

“Essa denúncia é de uma gravidade muito grande. Todos nós conhecemos as campanhas milionárias que foram feitas pelo senhor Gladson Cameli no Estado do Acre e todos nós sabemos que esses recursos sempre vieram de Manaus”, disse Leo de Brito. “Nós estamos pedindo a apuração, estamos pedindo que os órgãos possam fazer essa apuração rigorosa, pois o senhor Gladson e o senhor Eládio Cameli têm muito a explicar à sociedade acreana”, completou.

Gladson teve o segundo voto mais caro do Brasil

Analisando os custos das eleições de 2014 está comprovado o grande “poder de fogo” de Gladson Cameli na disputa. Naquele ano, ele se elegeu senador da República pelo PP e teve uma das campanhas mais caras do Brasil. Segundo Léo de Brito, Gladson teve o segundo voto mais caro entre os 27 senadores eleitos, perdendo apenas para a senadora goiana Kátia Abreu (PMDB).

“Kátia gastou R$ 6,9 milhões e recebeu 282.052 votos, o que equivale a R$ 24,71 por voto. Já o Gladson obteve 218.756, gastando R$ 22,46 por voto”, disse o parlamentar, com base em informações colhidas junto ao site Congresso em Foco, edição do dia 15 de janeiro de 2015.

Para Leo de Brito, isso mostra o quanto têm sido milionárias as campanhas de Gladson Cameli, que já se elegeu deputado federal por dois mandatos.

Na sua prestação de contas da eleição de 2014, a construtora Etam aparece como uma das doadoras com maior volume de recursos. Ao todo, foram R$ 1,8 milhão. Mas aparecem, também, como doadoras, outras grandes empresas da área da construção civil, como a Construtora Amazonidas Ltda, que doou R$ 585 mil.

lém dessas, outras empresas investigadas pelas Operações Lava Jato e Carne Fraca também fizeram doações para Gladson Cameli. A OAS doou R$ 100 mil através do Diretório Nacional do PP e a JBS dou R$ 600 mil em três repasses feitos, também, através do Diretório Nacional.

O passado que condena

Pelo raciocínio do deputado petista, é difícil supor que Eládio Cameli tenha atuado em esquema de corrupção desviando recursos da obra da Ponte do Bilhão e doando apenas para políticos amazonenses, deixando seu filho de fora. E é justamente isso que cabe às instituições instigadas por Leo de Brito investigar. Leo lembra, também, que Eládio já se envolveu em caso semelhante nos anos de 1990, quando participou do esquema para a compra de votos que garantiram a reeleição para o então presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

Eram de Eládio os cheques de R$ 200 mil, usados para o pagamento dos parlamentares acreanos (cerca de R$ 985 mil em valores corrigidos pelo IGP-M até 30 de março) que votaram a favor da reeleição de FHC.

Resta também lembrar que Gladson Cameli, no início das investigações da Operação Lava Jato, foi citado pelo doleiro Alberto Yousseff como um dos parlamentares para quem ele remetia uma mesada que variava de R$ 30 mil a 150 mil, nas legislaturas de 2006 e 2010, quando Cameli era deputado federal.