Leo de Brito: Temer começa a pagar suas contas tentando salvar Cunha

O presidente interino Michel Temer começa a pagar as contas que têm com aqueles que lhe ajudaram a dar o golpe no mandato da presidenta Dilma Rousseff e na operação Lava Jato, que ameaça não só a ele mesmo quanto aos seus aliados.

É o que diz o deputado federal Leo de Brito (PT-AC) ao fazer o balanço dos fatos ocorridos na política brasileira na semana que passou e que foi marcada por novas trapalhadas e absurdos cometidos no governo interino do Brasil que neste domingo completa exatamente um mês de existência.

Leo de Brito diz que o pagamento das contas de Michel Temer começa com o presidente afastado da Câmara Eduardo Cunha, cujo mandato Temer está tentando salvar a qualquer custo agindo nos bastidores para evitar que o Conselho de Ética da Câmara aprove a cassação de seu mandato, que irá, em seguida, para votação no plenário da casa.

“Michel Temer está pagando a conta que tem com Eduardo Cunha, que abriu o processo de impeachment da presidenta Dilma a partir do momento em que os deputados do PT se negaram a dar seus votos para inocentar Cunha das ilegalidades que cometeu no exercício de seu mandato”, afirma Leo de Brito, que é um dos deputados petistas que defendeu e defende a cassação do mandato do presidente afastado da Câmara pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo Leo de Brito, Eduardo Cunha não só abriu o processo de impeachment de Dilma como deu muitos votos para que ele fosse admitido na Câmara dos Deputados. “Quando você ouve as gravações do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, percebe que Temer é Cunha. Quando você vê o líder do governo na Câmara sendo indicado por Cunha, também percebe que Temer é Cunha. Quando você vê que vários ministros de Temer foram indicados por Cunha, mais uma vez também percebe claramente que Temer é Cunha”, assinala.

Para completar, em seguida: “Essa conta está sendo paga agora. E de que forma está sendo paga? Com o voto decisivo no Conselho de Ética da deputada federal Tia Eron (BA), do PRB, cujo presidente afastado é Marcos Pereira, ministro da Indústria e do Comércio do governo Michel Temer”.

Leo de Brito ressalta ainda que Temer está pagando sua conta com Cunha também pelo medo que tem do potencial ofensivo que representa o presidente afastado da Câmara, caso este decida fazer uma delação premiada na Lava Jato, que pode simplesmente abrir gigantescas fendas no chão de Brasília.

“Uma delação de Eduardo Cunha tem o poder de fazer o mundo cair no Brasil e, certamente, Temer estará no meio dessa queda. Eduardo Cunha é quem manda em Michel Temer. É Cunha que dá as cartas nesse jogo da corrupção e no pacto da mediocridade que tomou conta do Brasil”, afirma Brito.

O deputado Leo de Brito assinala que as ações de um mês do governo interino de Michel Temer mostram que ele também está pagando as contas com os empresários ao se dispor a reduzir os direitos trabalhistas e dos aposentados. Temer também está pagando a conta que tem com o PSDB, deixando o partido participar e decidir em seu governo mesmo não tendo ganho as eleições presidenciais, além de retomar a incansável sanha privatista e neoliberal dos tucanos.

Segundo Leo de Brito, Michel Temer também está pagando suas contas com os caciques do PMDB, conforme ficou demonstrado nas gravações feitas por Sérgio Machado com Renan Calheiros (AL), presidente do Senado, senador e ex-ministro Romero Jucá (RR) e o ex-presidente da República José Sarney. “A conta dos caciques do PMDB é jogar as investigações da Lava Jato para debaixo do tapete”, diz o deputado.

Tempos de insegurança e imprevisibilidade

O deputado Leo de Brito assinala, ainda, que a semana passada remeteu a política do país para uma situação de “absoluta” insegurança e de imprevisibilidade. “Primeiro, nós temos um governo interino, um governo que assume a partir de um golpe com objetivos jogar a corrupção para debaixo do tapete, como ficou claro nas gravações pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Depois, salva Eduardo Cunha e depois desmonta todo o conjunto de políticas sociais realizado pelos governos de Lula e de Dilma”, afirma.

Segundo o deputado, um governo que surge numa situação como essa, surge de maneira ilegítima e obviamente não consegue pacificar nada, que era o objetivo principal de Temer ao assumir o comando do país. “Na verdade, ele (Temer) está criando uma situação cada mais de caos e conflagração. O próprio mercado financeiro que apoiou Temer não apresenta resultados nesse primeiro mês do governo golpista. É um governo fraco, um governo que é refém desses compromissos. Um governo que está nesse momento sendo loteado para os aliados que deram os votos para ele chegar ao poder”, completa o parlamentar.

O deputado acrescenta que o governo de Temer “é um governo atrapalhado porque o que é dito de manhã é desdito de noite. É um governo sem consistência do ponto de vista técnico, que fundiu ministérios de forma equivocada, como foi a junção do Ministério do Desenvolvimento Social com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e ainda com o INSS no meio. Ou seja, não se tem qualquer conexão. A mesma coisa ocorreu ao se juntar Ciência e Tecnologia com Comunicação”, completa.

Para Leo de Brito, o governo interino de Michel Temer também é autoritário, pois sua face de autoritarismo se faz presente em alguns incidentes, como a repressão aos movimentos que ocorreram em São Paulo, o monitoramento que está sendo feito dos movimentos sociais pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República e o processo de sitiamento da presidenta Dilma no Palácio do Alvorada, com cortes de comidas, de viagens e de energia e dificuldades de acesso ao Palácio da Alvorada, além das ações feitas na EBC retirando a foceps o presidente da empresa que foi eleito.

Segundo Leo de Brito, a pesquisa de opinião feita na semana passada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) também demonstrou a fraqueza do governo Temer. “A pesquisa mostrou que Temer tem uma aprovação de 11% e as expectativas para o seu governo são baixíssimas. Mostrou também que Temer não empolga ninguém, não empolga o povo brasileiro, pois não tem nada de novo. Muito pelo contrário, teve foi aumento para o Judiciário e a criação de 14 mil novos cargos, enquanto ele assumiu dizendo que iria fazer um governo de austeridade”, acrescentou.

Segundo Leo de Brito, o governo Michel Temer está fazendo tudo ao contrário das reais necessidades do país. “Está mexendo com a agricultura familiar, tirou o setor de pesquisa acabando com o Ministério das Ciências e Tecnologia, acabou com a CGU (Controladoria Geral da União). Tem um monte de ministros envolvidos em casos de corrupção. Toda semana tem um ministro novo que cai e ele (Temer) está usando o Estado brasileiro para perseguir a presidenta Dilma, típico da era da ditadura militar. A pesquisa está refletindo que não dá para acreditar em Temer, que é fraco, que faz um governo de trapalhadas, um governo que não acena nada de mudanças para a sociedade do ponto de vista econômico, social e moral. E é um governo refém daquilo que há de pior na política do Brasil. É um típico representante da política do PMDB, que é uma política fisiológica, dos cargos e da corrupção”, conclui o deputado.