Leo de Brito: PT e aliados estão prontos para o que der e vier para rechaçar golpe contra a presidenta Dilma Rousseff

O PT e os partidos aliados da presidenta Dilma também vão defender o seu mandato com unhas e dentes. E todos estão prontos para o que der e vier para rechaçar o golpe contra ela.

Foi o que disse ontem o deputado federal Leo de Brito (PT-AC) ao falar da deflagração do golpe contra Dilma feita pelo PSDB de Aécio Neves na sua convenção nacional de domingo. “Nós vamos fazer o enfrentamento que for necessário para evitar qualquer tentativa de desestabilização institucional no país”, disse o deputado do PT acreano.

Nesta entrevista, Leo de Brito diz que o PT e os partidos aliados da presidenta Dilma estão preparados para o pior cenário, que ele prevê que deve ocorrer a partir de agosto próximo com a tentativa do PSDB e seus aliados de derrubar Dilma com ações no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo o deputado, o pior cenário é o clima de guerra que pode ser deflagrado com o clima de animosidade que estará se criando no país a partir do golpe contra a democracia. “Vai haver um clima de grande conflagração nacional que ninguém sabe quais serão as consequências”, diz Leo de Brito.

O deputado prevê que a conflagração pode sobrar até para a parte da imprensa nacional que, apoiando hoje o golpe contra Dilma, estará com sua liberdade comprometida por possível regime totalitário que possa vir a se instalar novamente no país.

Em sua convenção de domingo, o PSDB colocou o bloco do golpe contra Dilma nas ruas. O que o senhor acha disso?

O que está acontecendo hoje no nosso país é lamentável. É lamentável que um partido como o PSDB, que teve em seus quadros pessoas como Mário Covas, um grande democrata, esteja nesse momento querendo desrespeitar o resultado das urnas do dia 26 de outubro do ano passado, quando o povo, de maneira soberana, deu a vitória à presidenta Dilma.

Por que o PSDB não se conforma de maneira alguma com a derrota para a presidenta Dilma?

Das eleições até aqui, o PSDB comandando pelo Aécio Neves, se mostra um mal perdedor. Nunca existiu uma pessoa como essa, que perde a Presidência da República e fica usando todos os artifícios para tentar vencer no tapetão. Isso aconteceu com o pedido de recontagem de votos junto ao TSE e agora com as tentativas de tirar a presidenta através do Tribunal de Contas da União (TCU), da Operação Lava Jato e do vice-presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, ex-ministro do Fernando Henrique Cardoso. O PSDB está agindo de várias maneiras através de instituições que queiram dar golpe para derrubar a presidenta Dilma.

O que vão fazer o PT e os partidos aliados da presidenta?

Estamos repudiando isso com veemência. A convenção nacional do PSDB demonstrou que eles, de maneira arrogante, já estão sentando na cadeira da Presidenta da República, assim como Fernando Henrique fez ao sentar na cadeira do prefeito de São Paulo quando foi candidato a prefeito. Na verdade, isso é uma verdadeira afronta ao povo brasileiro.

Qual será a estratégia para combater o golpe liderado pelo PSDB?

Agora, a presidenta Dilma foi reeleita para governar durante quatro anos. E nós não vamos aceitar qualquer tentativa de abreviação do seu mandato, como o golpe que se apresenta nesse momento.

O PSDB perdeu nas urnas, perdeu nas ruas e está tentando ganhar no tapetão. Há risco de isso acontecer?

É uma situação que assusta a todos nós. Mas no TCU essa história das pedaladas fiscais não tem fundamento nenhum. Aliás, é uma prática reiterada por vários governos e nunca o TCU notificou ninguém sobre isso. Em relação ao TSE, estão querendo mais uma vez tratar doações legais feitas à presidenta Dilma, em uma quantia inferior à do Aécio Neves, inclusive, como se fossem ilegais. E isso é temerário, gera uma insegurança jurídica, uma vez que nas próximas eleições podem acontecer situações em que vão inventar factóides para negar os resultados das urnas.

Como o senhor acha que a população está recebendo essa história de golpe?

O povo não quer isso. O povo quer respeito aos resultados das urnas. Mas nós estamos preparados para o pior cenário. E se vierem para cima para tentar dar o golpe nós vamos estar aqui na resistência, não só o PT mas todos os partidos da base aliada, que já manifestaram apoio à presidenta Dilma nesse momento crítico que vive o país.

A presidenta promoveu esta semana uma reunião com sua base aliada para tratar exclusivamente do golpe?

O governo não vai paralisar. O governo vai continuar trabalhando. Inclusive, temos agora o programa de proteção do emprego, que foi compactuado com as entidades empresariais e as entidades sindicais. Temos investimentos na área de logística, na agricultura familiar e empresarial, na terceira fase do programa Minha Casa, Minha Vida.

Mas o golpe contra Dilma já é real.

Não vamos compactuar com qualquer tentativa golpista. E a presidenta Dilma, em hipótese alguma, vai aceitar o golpe. E nós vamos fazer o enfrentamento que for necessário para evitar qualquer tentativa de desestabilização institucional no país.

O que fazer de concreto para combater o golpe?

Nós vamos denunciar o golpe. Nós vamos denunciar o que está acontecendo no TCU hoje, onde o procurador que fez a denúncia das pedaladas, estava no ato pelo impeachment da presidenta Dilma. Vamos denunciar as irregularidades da Operação Lava Jato. Na última semana, aqui na CPI da Petrobras, nós tivemos três delegados militantes de Aécio Neves que botaram escuta na cela do delator Alberto Youssef. Enfim, nós vamos atacar de maneira muito firme esses ataques que estão sendo feitos junto ao TSE, comandado pelo ministro tucano do STF Gilmar Mendes.

A presidenta Dilma disse que irá defender seu mandato com unhas e dentes. O PT e os partidos aliados vão fazer o mesmo?

Nós também vamos defender o mandato da presidenta com unhas e dentes. Vamos mobilizar os movimentos sociais, a população, para que qualquer tentativa de quebra institucional seja rechaçada com veemência porque o que está em jogo é a democracia em nosso país. A democracia corre um risco muito grande. Aliás esse risco pode trazer uma grande conflagração nacional que ninguém sabe quais serão as consequências. Vai criar um clima de animosidade, de guerra sem fim, de desestabilização do país, como já está acontecendo hoje, que tem atingido inclusive a economia. Nós estamos alertando que essa tentativa radical de golpe pode levar inclusive à quebra econômica do país.

E o que fazer com parte da imprensa que vem contribuindo para o clima de golpe?

Nós apoiamos que a imprensa faça as suas investigações. Mas infelizmente grande parte da imprensa tem agido de maneira coordenada com instituições e com partidos políticos oposicionistas para derrubar a presidenta Dilma. O que nós pudemos fazer é denunciar essa ação arquitetada, que é uma ação que prejudica a própria imprensa, porque se nós tivermos consequências muito radicais, nós podemos ter a volta de regimes totalitários que vão causar situação de exceção que pode voltar a prejudicar muito a liberdade de imprensa em nosso país.

Quanto tempo o senhor acha que deve durar esse clima de golpe institucional no país?

A oposição está preparada para acirrar o clima de instabilidade, sobretudo a partir de agosto, devendo perdurar por alguns meses. Mas nós estamos preparados para fazer a resistência necessária nesse processo.

Romerito Aquino