Léo de Brito critica ação da Lava Jato no Canadá e aponta “Big Brother” na PF do Paraná

Os vazamentos seletivos da quebra do sigilo telemático dos réus da Operação Lava Jato – do doleiro Alberto Yousseff, do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, do diretor afastado da construtora OAS Leo Pinheiro e dos ex-deputados André Vargas e Luiz Argôlo – foram feitos por delegados da Polícia Federal do Paraná ou por servidores da Justiça Federal paranaense.

A conclusão é do deputado Léo de Brito (PT-AC), depois do depoimento da equipe da Polícia Federal que foi ao Canadá obter da empresa RIM (Research in Motion), proprietária do sistema BlackBerry, as informações necessárias para a obtenção, arquivamento e proteção dos dados relativos às mensagens telefônicas ocorridas entre esses réus.

Para Léo de Brito, autor do requerimento para a oitiva do agente Sérgio Ramalho Rezende e dos delegados José Navas Júnior, Ricardo Hiroshi Ishida e Sérgio de Arruda Costa Macedo, os depoimentos desta quarta-feira (5) foram importantes para que a CPI conhecesse o processo de interceptação das mensagens. “Foi fundamental também ouvir do delegado Sérgio Arruda, que desenvolveu o aplicativo BBSAC, que possibilitou o recebimento das conversas decodificadas, que somente os delegados autorizados ou as pessoas indicadas pela Justiça do Paraná podiam ter acesso às mensagens”, afirmou.

Para Léo de Brito, foi montado um verdadeiro “Big Brother” na Polícia Federal do Paraná.  “A CPI tem que presar pela legalidade de todos os atos da Operação Lava Jato”, argumentou. Ele lembrou que agente da Polícia Federal Dalmey Werlang revelou, em depoimento à CPI, que implantou escutas clandestinas na Superintendência da PF em Curitiba, na cela do doleiro, a mando de três superiores. “Isso também precisa ser apurado, e os responsáveis punidos”, defendeu.

O relator da CPI, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), fez uma série de perguntas técnicas, principalmente para saber como a Polícia Federal pode ter certeza de que os dados recebidos da empresa canadense se mantêm íntegros, se alguém poderia alterar os conteúdos e quais as medidas de segurança adotadas pela PF para impedir isso. Luiz Sérgio questionou ainda se o termo de confiabilidade que a equipe assinou com a RIM para receber as informações não ficou prejudicado com o vazamento das conversas.

Contradições – A CPI da Petrobras também ouvi nesta quarta-feira o presidente da empresa japonesa Mitsui no Brasil, Shinji Tsuchiya. Na avaliação do deputado Leo de Brito,existem muitas contradições entre as declarações dos delatores da Operação Lava Jato e os depoimentos de empresários na CPI. “Precisamos saber quem está mentindo”, defendeu o deputado. Ele se referia ao fato de Tsuchiya ter admitido que a Mitsui contratou a Samsung para construir navios-plataforma em parceria com a Petrobras, mas ter negado que a empresa tenha feito pagamento de comissão à empresa Piemonte, do empresário Júlio Camargo, que era representante da Samsung.

Em delação premiada, Júlio Camargo confessou ter intermediado contratos da Samsung e da Mitsui com a Petrobras e afirmou que houve pagamento de propina nos negócios. Entretanto, Tsuchiya afirmou que Júlio Camargo nunca foi representante da Mitsui no Brasil. Ele admitiu, no entanto, que Camargo atuava como representante da Samsung e pode ter participado de reuniões da Petrobras com as empresas Mitsui e Samsung.

Em depoimento na CPI, Shinji Tsuchiya negou também qualquer relação da empresa com a chamada Mitsui Toyo, que está sendo investigada por pagamento de propina em troca de contratos com a estatal brasileira para o fornecimento de navios-plataforma.

Vânia Rodrigues