Léo de Brito alerta contra prejulgamentos na CPI da Petrobras

Falando por mais de 13 minutos em nome da liderança do PT na Câmara, o deputado federal Léo de Brito (PT-AC) alertou ontem aos deputados da CPI da Petrobras para tomarem cuidado com pré-julgamentos e com a seletividade dos assuntos que estão sendo investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito.

O deputado citou o caso da Operação G-7, também desenvolvida pela Polícia Federal no Acre, para pedir que não haja pré-julgamentos, pois a operação que se deu no Acre acabou de ter seus indiciamentos anulados pelo juiz federal Jair Facundes porque não houve provas de que secretários e empresários estavam envolvidos num suposto cartel, cuja existência não foi provada.

Léo de Brito ressaltou que assim como ocorreu com o G-7, onde se dizia existir cartel de empresas para ganhar várias licitações, além de super-faturamento, na operação Lava Jato não há ninguém indiciado até aqui que faça parte do setor de licitações da Petrobras.

Falando mais especificamente da Operação Lava Jato, Léo de Brito chamou a atenção para alguns de seus aspectos importantes, conforme os depoimentos que já foram tomados até aqui pela CPI de ex-diretores envolvidos com o recebimento de propina das empresas fornecedoras da Petrobras.

Segundo o deputado petista, até os ex-diretores, que são réus confessos de terem recebido propinas, assinalaram que não havia na empresa a prática de cartel, assim como não houve sobrepreço e nem superfaturamento nas licitações e nos contratos da Petrobras. Além disso, de acordo com o deputado, os ex-diretores admitiram que a corrupção não era institucionalizada dentro da empresa, mas que ela ocorria de forma isolada. CPI.

“Eu tenho reiterado por diversas vezes a importância da gente relativizar um pouco aquilo que está nas delações e no próprio processo, levando em consideração um exemplo, que foi a delação do senhor Pedro Barusco (ex-gerente de Engenharia da Petrobras), que afirma que de 2003 a 2013 deu propina para o tesoureiro do PT, o senhor João Vacari. Ocorre que o Vacari é tesoureiro do PT apenas desde 2010. Portanto, essa afirmação é um a afirmação mentirosa”, assinalou o deputado.

O deputado federal Léo de Brito também destacou que os membros da CPI não podem ser seletivos, como ocorreu no caso do depoimento de Pedro Barusco, que afirmou que havia corrupção desde a década de 1990 e muitos parlamentares não tiveram sequer a vontade de investigar.

“Não se pode ter seletividade, por exemplo, como a gente vê hoje a imprensa falando das contribuições partidárias e eleitorais do Partido dos Trabalhadores, que foram devidamente legalizadas e aprovadas pelos tribunais eleitorais e que são consideradas propinas, quando praticamente todos os partidos que hoje fazem parte do Congresso Nacional também receberam essas contribuições. Então ninguém pode ter esse tipo de seletividade como algumas ações que foram espetaculosas, como a condução coercitiva para depor do tesouro João Vacari às vésperas do aniversário do PT”, assinalou Léo de Brito.

Além das observações que fez falando pela liderança do PT, o deputado Léo de Brito fez várias indagações ao depoente de ontem na CPI, Glauco Legatti, ex-gerente-geral da refinaria de Abreu e Lima (PE), que negou ter recebido propina do esquema de corrupção que atuava na Petrobras. À Justiça, o engenheiro Shinko Nakandakari, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como operador da construtora Galvão Engenharia, afirmou ter pago R$ 400 mil de propina a Legatti.

Romerito Aquino