Como relator da CPI, deputado federal Leo de Brito inquire dirigentes de refinaria

O deputado federal Leo de Brito (PT-AC) exerceu ontem por várias horas o papel de relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras durante os depoimentos de dirigentes da Refinaria Abreu e Lima, de Pernambuco, uma das obras citadas e investigadas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Substituindo o relator titular, o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), Leo de Brito inquiriu os dirigentes sobre o suposto superfaturamento dos valores da refinaria. Segundo a Justiça, o superfaturamento teria ocorrido por causa do esquema de corrupção que desviou sistematicamente recursos da Petrobras.

A Refinaria Abreu e Lima, em investigação ontem na CPI, também vem sendo alvo de auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU), que já apontou irregularidades em contratos. O custo da obra se multiplicou nesses anos e saiu dos US$ 2,4 bilhões, previstos inicialmente, para US$ 18,5 bilhões.

Ao falar dos quatro meses em que vem atuando na CPI da Petrobras, o deputado Leo de Brito afirmou que a comissão não alcançou muita coisa substancial além daquilo que foi investigado pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pela própria Justiça Federal.

“A Justiça está muito avançada nas investigações da Petrobras”, assinalou o deputado petista, ao destacar que a CPI foi usada em vários momentos pela oposição como palanque político, embora os seus membros continuem lutando para trazer coisas novas.

A sessão da CPI da Petrobras de ontem foi marcada por uma contradição apontada por dirigentes da estatal do petróleo a um superior que também já foi interrogado pelos parlamentares.

Os dirigentes que ocuparam uma cadeira na Refinaria do Nordeste (Rnest), de Abreu e Lima, de Pernambuco, foram questionados sobre a realização de indicações pelo ex-gerente geral Glauco Legatti à comissão de licitações dos contratos da refinaria.

O deputado Leo de Brito inquiriu sete dirigentes da Refinaria de. Abenildo Alves de Oliveira foi o primeiro e afirmou que Legatti realizou, “na sua época”, em 2008, indicações à comissão. Já Ivo Tasso Bahia Baer afirmou que Legatti era responsável pela “nomeação formal”.

“Acho que é só a maneira como foi colocado (que gera contradição). Formalmente, ele emite o documento interno pedindo a nomeação da comissão, mas a indicação são das diversas partes”, afirmou Ivo Baer.